
Em alguns minutos, voltaremos à nossa programação normal.

"Saudai a Rufo, eleito no Senhor..." Rm 16.13
Qual será, de fato, um resultado proveitoso para o trabalho evangelístico? Este pode ser quantificado, medido em números e estatísticas? Existe algum prazo?
Como instituição criada e ordenada para estar no mundo (Jo 17.15,18), dando-lhe sabor (Mt 5.13), a Igreja deve ter contato com ele sem, no entanto, aderir aos seus modismos. Da mesma forma, o apelo ao imediato, ao material e palpável, ao 'faça você mesmo' aqui e agora, não condiz com a Instituição formada por pessoas que, desde os antigos, vive sob a ótica da fé (Hb 11).
Há na Bíblia o exemplo de um homem que motiva estes argumentos. Seu nome é Simão, de Cirene – cidade do norte da África. Homem pacato, alheio ao burburinho da cidade naquela manhã de sexta-feira, vinha do campo. Talvez pudesse ser aquele mais um dia comum em sua vida, não o houvessem encontrado e constrangido, quando passava, a carregar a cruz rumo ao Calvário. Levou-a nos ombros, e por alguns minutos, seguindo após Jesus, pôde experimentar o peso do madeiro, o escárnio da multidão numerosa, o clamor das mulheres que lamentavam Cristo e a forte expectativa de morte ao fim do trajeto.
Imagens tão vívidas e fortes de certo mudaram a vida daquele homem. De transeunte ao esmo ele foi transformado em alguém que trilhou o caminho da cruz, e pôde entender que o madeiro no qual Cristo fora crucificado lhe pertencia, que os escárnios ouvidos deveriam ser endereçados a ele, e que a morte ao final do caminho era sua. Jesus é o Justo que morreu pelos injustos !
Deus nos chamou para encontrar outros eleitos. Cabe-nos evangelizar, fazer missão, levá-los a experimentar o caminho da cruz, ainda que eles sumam na multidão. Quando será o resultado, não sei. É possível que Cristo queira aplicar sua semente em outros Simões e que isto resulte em frutos que não se vêem. Você tem paciência para aguardar, por fé?
Rev. Gilmar Araújo Gomes,
Em Cristo, seu conservo.

Semana anterior lembramos que no dia 10 de março comemoraram-se 451 anos do primeiro culto protestante a Deus nas Américas, ocorrido na baía de Guanabara, como grande marco da missão França Antártica.
Os huguenotes (protestantes franceses) aqui chegaram em 11 de outubro de 1555 para formar uma colônia que servisse de refúgio da perseguição aos crentes da Europa. Todo este processo de tentativa encerrou-se em 11 de setembro de 1560 com a queda da colônia francesa em mãos do general português Men de Sá. O motivo do desastre foi a ambição de Villegaignon:
“Suspeitas e inseguranças lhe perturbariam logo o governo. Villegaignon desconfiava dos índios tamoios tanto como dos seus próprios homens; desconfiava, mais ainda, das potências européias que podiam disputar-lhe a soberania; e esta desconfiança o faria cometer arbitrariedades.”[1]
Arbitrariedades que resultariam
“Entre os primeiros franceses que vieram ao Rio de Janeiro em companhia de Nicolau Villegaignon, de que tratamos em capitulo oitavo deste livro, vinha um herege calvinista chamado João Bouller, o qual fugiu para a capitania de São Vicente, onde os portugueses o receberam cuidando ser católico, e como tal o admitiram em suas conversações, por ele também na sua eloqüência e universal língua espanhola, latina, grega, e saber alguns princípios da hebréia, e versado em alguns lugares da sagrada escritura, com os quais, entendidos a seu modo, dourava as pílulas e encobria o veneno aos que o ouviam e viam morder algumas vezes na autoridade do sumo Pontífice, no uso dos sacramentos, no valor das indulgências, e em a veneração das imagens. Contudo não faltou quem o conhecesse (que ao lume da fé nada se esconde), e o foram denunciar ao bispo, o qual condenou como seus erros mereciam e sua obstinação, que nunca quis retratar-se, pelo que o remeteu ao governador, o qual o mandou que, à vista dos outros que tinha cativos na última vitória, morresse em mãos de um algoz. Achou-se ali para o ajudar a bem morrer o padre José de Anchieta, que já então era sacerdote, e o tinha ordenado o mesmo bispo D. Pedro Leitão e, posto que no principio o achou rebelde, não permitiu a divina providencia que se perdesse aquela ovelha fora do rebanho da igreja, senão que o padre com suas eficazes razões, e principalmente com a eficácia da graça, o reduzisse a ela. Ficou o padre tão contente deste ganho, e por conseguinte tão receoso de o tornar a perder que, vendo ser o algoz pouco destro em seu oficio e que se detinha em dar a morte ao réu e com isso o angustiava e o punha em perigo de renegar a verdade que já tinha confessada, repreendeu o algoz e o industriou para que fizesse com presteza seu ofício, escolhendo antes pôr-se a si mesmo em perigo e incorrer nas penas eclesiásticas, de que logo se absolveria, que se arriscar aquela alma à penas eternas.”[3] [Grifos nossos]
E assim, como essas linhas, tentando encontrar no algoz de São Vicente um motivo heróico para um assassinato frio, encerra-se a primeira oportunidade de se estabelecer em terras do Brasil uma colônia protestante.
Rev. Gilmar Araújo Gomes
Extraído do texto "Subsídios para a história do presbiterianismo em Sergipe", monografia de conclusão de curso.
[2] João RIBEIRO, História do Brasil, 9ª ed., (São Paulo: Livraria Francisco Alves, 1920), p. 131-132.

No dia 10 de março, comemoramos 451 anos do primeiro culto protestante nas Américas, realizado na baía de Guanabara, Rio de Janeiro, na antiga ilha Serigy, atual ilha Villegaignon.
Em 1555 chegou ao Brasil o primeiro grupo de huguenotes (calvinistas franceses) com o fim de estabelecer uma nação segura para a liberdade protestante daqueles irmãos perseguidos. A expedição tinha por objetivo fundar a França Antártica - uma colônia que fosse refúgio seguro à fé cristã.
Aqui chegando, o líder da expedição, comandante Villegaignon, enviou cartas ao reformador João Calvino, solicitando pastores, os quais chegaram no dia 07 de março de 1557. Além dos pastores, vieram um seminarista, um alfaiate e outros profissionais para a nova comunidade nascente.
O primeiro culto protestante das Américas teve como texto de pregação o Salmo 27.4 e o canto do Salmo 5 metrificado do hinário genebrino da igreja de Calvino (hoje, o hino 122 do hinário da IPB).
Passado um período, Villegaignon discordou da vida piedosa que os pastores recém-chegados exigiam dos membros da comunidade, e fazendo uso da discórdia sobre os elementos da Ceia, iniciou uma dura perseguição, forçando muitos a retornarem ou fugiram. Alguns conseguiram escapar, 4 foram presos e 3 foram condenados à morte, sendo precipitados de alto despenhadeiro rumo à baía de Guanabara (André la Fon foi poupado por ser alfaiate, uma função necessária na vida da colônia).
O capítulo 15 da primeira carta de Paulo aos coríntios trata de um assunto sempre atual na mente de todo ser humano: um dia enfrentaremos a morte!
Numa época cheia de incertezas, violência e medo, nenhum sentimento é mais motivador das ações cotidianas do que o temor da morte. Em último momento, é por temor da morte que são trancadas as portas de casa, são tomados os remédios quando doentes, foge-se de brigas e discussões. Talvez alguém me responda: "Mas eu faço isso para não ser assaltado, para recuperar a saúde, para viver em paz!" E eu lhe diria: Está certo! Mas, quem, senão o diabo, está interessado em roubar, matar e destruir? (Jo 10.10) E por meio de quem, senão do diabo, a antiga serpente, viemos a conhecer o pecado? (Gn 3.13) E por meio do pecado, a morte? (Gn 3.19; Rm 6.23)
A morte é, então, o inimigo final do homem. E quando Cristo, o Cordeiro imaculado de Deus, morreu sobre a cruz e ressuscitou em cumprimento à lei de Deus (1Co 15.3,4), livrou-nos deste inimigo.
Sim, a morte ainda nos aflige no corpo, mas está derrotada n'alma de todo o que crê no livramento da cruz (1Co 15.1,2; Rm 10.9). A morte foi tragada na vitória da ressurreição (1Co 15.54).
A vitória de Cristo é a nossa vitória. Neste momento, Seu corpo ressurreto está diante do Pai, apresentado como prova da vitória sobre a morte e para o perdão do pecador que crê em seu significado: o preço foi pago! Esse é o grande mistério da piedade (1Tm 3.16), é a certeza de que Ele levou cativo o cativeiro que prendia o homem à morte eterna (Ef 4.8).
A Bíblia nos ensina que, na volta de Cristo, num abrir e fechar d'olhos, o corpo mortal se revestirá de imortalidade. O mar, a morte e o além darão seus mortos para o julgamento final. A morte será lançada no lago de fogo; ela é o último inimigo a ser destruído (1Co 15.52; Ap 20.12-15; 1Co 15.26).
Continuemos, pois, firmes na esperança garantida por Cristo Jesus! Sua vitória sobre a morte é o motivo maior dessa esperança. A morte não pôde impedi-lo de ressuscitar, de voltar a viver. Por fé, ela também não nos impedirá!
Para isto ele morreu e ressuscitou: para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna (Jo 3.16). Amém!
Rev. Gilmar Araújo Gomes, vdm

Considerações sobre nosso fragilizado sistema federativo frente ao surgimento de 'Comunidades Presbiterianas'
"Naqueles dias, não havia rei em Israel; cada um fazia o que achava mais reto."(Jz 21.25)
Tenho saudades de muitas coisas aprendidas no seminário. Entre elas, uma frase, que não sai da memória: "Há muito nossa amada IPB deixou de ser continente para tornar-se arquipélago". Dita por um experimentado e piedoso servo de Deus, estas afirmações encontram eco e ilustração nas mais recentes expressões eclesiásticas encontradas na Igreja Presbiteriana do Brasil. Entre carismáticos, pentecostais, conservadores, liberais e modernistas, buscamos definição de quem somos à luz de um fragilizado sistema federativo.
A IPB bem define-se como "Federação de igrejas locais". Federal é termo oriundo do latim 'foedus', e tem nas palavras 'pacto', 'acordo' e 'união' sinônimos necessários e esclarecedores. No sistema federativo, pactual, as igrejas locais não são (não deveriam ser) comunidades estanques, autônomas, independentes, antes, parte de um todo maior, federado, pactuado e articulado em si mesmo pelos concílios inferiores, os quais têm na igreja local seu berço.
Devido à amplitude destas questões, tão fragmentadas quanto a ética que nossos juízes advogam no limite de seus muros, aqui neste artigo quero ater-me a apenas uma destas variadas expressões: o constante surgimento das chamadas 'Comunidades Presbiterianas'.
De concepção destoante com o todo da denominação, este novo 'conceito' de pensar, fazer e ser igreja, tem surgido para alguns como 'alternativa' eclesiológica. Embora esta matéria seja tema já debatido e definido em resolução conciliar (veja-se CE-IPB/2006 - Doc. 45), a nomenclatura 'comunidade presbiteriana' surge como escape para os que se incomodam com o peso histórico e coerente da Igreja Presbiteriana, e assim, afirmando buscarem 'leveza' na forma de servir a Deus, outorgam a si o rebelde (porque não permitido) epíteto de 'comunidade'. Sem se contentarem com a Igreja que os abriga, tornam mais frágil o sistema conciliar que os aceita, assim criando, sem declarações expressas, uma nova 'igreja' dentro da 'velha' Igreja.
Avaliando este 'fenômeno' contagiante, pesquisamos e percebemos que tal modismo, como outros, vem de fora, de outras terras. Terras estas que já provam o resultado secularizante desta nova forma contemporânea de supor-se igreja. Pesquisando entre exemplos nacionais e estrangeiros, destaco pontos comuns dessas comunidades, ênfases positivas e negativas:
É NEGATIVO
1) A tendência de ver a Igreja tão somente como um edifício frio e vazio, não conseguindo ver o Corpo de Cristo além da Instituição histórica e humana que é a Igreja Visível.
2) Uma busca exagerada pela 'leveza' e 'informalidade'. Esta ação tão somente faz criar um ambiente artificialmente leve, mantido a esforços do marketing de relacionamentos e estudos de layout, cromoterapia e semântica.
3) O desejo quase inusitado de comunicar a Palavra de Deus de maneira contemporânea, sugerindo-se um supra-sumo da novidade pós-moderna; ensinar a Bíblia como até então a história da Igreja não havia experimentado, porque dependente de seus clichês.
4) A supressão da salutar prática da Escola Dominical, marca característica do ramo protestante em sua ênfase e preocupação pelo ensino e capacitação dos santos. O anti-historicismo encobre este pilar para substituí-lo por encontros alternativos de discipulamento.
5) O exagerado uso de temos hodiernos em detrimento dos conceitos já consagrados, porém eivados de significado religioso, logo, 'pesados'. Ex: culto = celebração, comunhão = conectado com Deus. E por que não trocar a expressão comunidade por orkut ?! Definiria do que estamos tratando.
É POSITIVO
1) A preocupação em comunicar o Evangelho ao nosso tempo. [Se moderada fosse e sem negociar princípios]
2) A ênfase na espiritualidade e no compromisso pessoal de atender o chamado bíblico ao serviço cristão.
3) A prática da mentoria em pequenos grupos. [Desde que supervisionada e não em detrimento de ênfases principais como o ajuntamento solene, a idéia de Corpo, ou a Escola Dominical, por exemplo.]
4) O grande destaque para a proximidade entre os irmãos e a prática do auxílio mútuo.
Não negamos existirem características positivas na metodologia das chamadas 'comunidades'. Elas surgem como brechas de luz no todo da verdade histórica que se esforçam por cobrir. Podemos e devemos aprender ou, no mínimo, reconsiderar alguns dos pontos fracos apontados pelos líderes deste movimento. Servir-nos-ia de anticorpos! Ao reconhecermos a existência de atitudes positivas, enfatizamos que as demais concepções discordantes que esses irmãos adotam deveriam ser levadas a foro devido, os concílios superiores, e lá, à luz dos símbolos de fé e da sólida herança reformada que oficialmente nos caracteriza, discutamos e nos confiemos à soberania dAquele que é o Noivo e que vela por preservar sua Igreja.
Aliás, nenhuma delas menciona a que concílios superiores estão jurisdicionadas. Seria prenúncio do fim a que se pretende chegar? Tais presbitérios têm consciência de que descumprem flagrantemente a resolução 45 da CE-SC/2006, da qual receberam determinação de exigirem "imediata mudança" do nome 'comunidade' para igreja ou congregação, como ordeiramente prescreve nossa Constituição? Não haveria nisto um acerto velado entre partes ('Eu não te exponho, você não me disciplina!?')?
Não obstante os pontos positivos, precisamos asseverar que desdenhar das resoluções quanto à nomenclatura das igrejas locais, somando a isto uma série de inovações nas práticas litúrgicas e administrativas já definidas, não é correto nem seguro. O solene voto que os oficiais da IPB proferem diante da Igreja e de seu Noivo precisam ser respeitados e cumpridos. Fazer uso do carisma pessoal assomado a técnicas psicológicas de domínio de auditório para transformar uma expressão local da Igreja Presbiteriana em um projeto pessoal de autopromoção e liderança desenvolta não me parece justo para com a denominação.
Ainda quanto ao valor da denominação, embora alguns neste ponto queiram ignorar, vale ressaltar que hoje a expressão 'comunidade presbiteriana' já se espalhou pelo grupamento evangélico nacional, servindo para nomear até não-presbiterianos e grupos dissidentes que levaram a termo a decisão que outros hesitam em tomar pela conveniência de estarem abrigados neste grande e vistoso guarda-chuva chamado IPB. (É com tristeza que suponho ser apenas questão de tempo!!). Nenhum estudo pró-leveza e aceitabilidade consegue dispensar um nome que transmita ao 'público-alvo' tanta credibilidade e seriedade como o nome "presbiteriano". Incoerência, porém, é suster um nome na fachada que não condiz com o sistema adotado no interior do prédio.
Por fim, é certo que a IPB não adota um sistema monarquista de governo, mas também está longe de ser uma igreja federativa consistente e forte, visto que as decisões conciliares têm sido ignoradas em detrimento da ética própria do período dos juízes, por meio da qual cada um faz o que lhe parece ser mais reto. É desta forma que o já fragilizado continente conciliar tem-se fragmentado em arquipélago de comunidades independentes e autônomas no sentido mais estrito da palavra.
GILMAR ARAÚJO GOMES
Ministro da Igreja Presbiteriana do Brasil